Vamos falar sobre o Hidrogel

Uma polêmica recente, envolvendo a modelo Andressa Urach, trouxe à tona o uso do hidrogel (produto utilizado no preenchimento e aumento de volume de regiões como bumbum e coxas).

Na aplicação feita na modelo, houve uma complicação que gerou um sério problema que a levou a uma internação, por conta de uma infecção na coxa esquerda.

O produto é regulamentado no Brasil, mas é preciso ser usado sob orientação e cuidado de médicos especializados. Ou seja, é necessária uma boa dose de cautela.

O hidrogel trata-se de um gel que tem em sua composição 98% de água e 2% de poliamida, utilizada no Brasil desde 2008.

Além do uso mencionado anteriormente, o produto pode ser usado para o preenchimento de linhas e rugas no rosto e no pescoço.

No Brasil, ainda que a aplicação do hidrogel seja um procedimento regulamentado, não há estudos suficientes que garantam a segurança da técnica em longo prazo, por isso é necessário precaução e acompanhamento médico.

Como é feita a colocação?

O hidrogel é injetado com uma microcânula, sob a pele da área em que o paciente quer aumento de volume. Este é um procedimento cirúrgico feito com anestesia local e que deve, portanto, ser feito em um centro cirúrgico ou em um estabelecimento que tenha condições de atender possíveis emergências médicas.

O profissional habilitado para fazer o procedimento é um médico, de preferência cirurgião plástico ou dermatologista, com treinamento em técnicas de preenchimento do corpo.

QUAL É A DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO?

O hidrogel é um produto absorvível que fica no organismo por um período que vai de 1,5 a 2 anos, dependendo do local em que é injetado e das características do paciente.

O previsto é que, depois desse tempo, o produto seja absorvido pelo próprio organismo e, caso o paciente queira que o volume aumentado continue, é necessário fazer uma nova aplicação.

Os riscos existem e devem ser minimizados. Como o procedimento prevê o depósito de uma grande quantidade de material sob a pele, há risco de o produto ser injetado perto de um vaso e comprimi-lo.

Isso pode levar a uma isquemia, ou seja, a uma interrupção do fluxo de sangue, que pode ocasionar uma necrose da pele. Eis mais um motivo para que o produto seja aplicado por um profissional de competência comprovada.

EVITE OS RISCOS

A aplicação incorreta do hidrogel também gera o risco de o produto comprimir um nervo importante, provocando dores fortes.

Outro risco: o produto, se injetado de forma errada dentro de um vaso sanguíneo, pode levar a uma trombose e à necrose da pele no local.

Pode, também, provocar uma embolia pulmonar ou até cerebral, e levar à morte. O paciente está sujeito ainda a ter hematomas, dores e alergia ao produto.

Aplicado corretamente, o produto não oferece estes riscos. Caso ocorra algum problema, o produto pode ser retirado com uma cirurgia ou usando a técnica da lipoaspiração.

Se o produto utilizado não for o original, a retirada tende a ser muito mais difícil porque outros produtos tendem a ser mais viscosos e pesados.

CUIDADOS QUE DEVEM SER TOMADOS

Os pacientes devem ficar atentos ao preço do procedimento: valores muito baixos podem indicar que o material utilizado não é original.

O hidrogel não é um produto barato e, para fazer um aumento de volume razoável nos glúteos, por exemplo, utiliza-se ao menos 300 ml de cada lado.

A procura por um procedimento mais barato pode gerar complicações. O paciente deve pedir para ver o produto e, se possível, fotografar a embalagem e o código de barras para que, se houver algum problema relacionado ao produto, ele possa recorrer ao fabricante.

Há outros procedimentos para pessoas que querem o efeito de aumento do volume e que são consideradas mais seguras do que a aplicação de hidrogel.

Uma delas é o uso da gordura do próprio paciente para preenchimento. Outra é o implante de próteses de silicone. Uma conversa entre médico e paciente definirá o procedimento mais indicado.